Versão completa em HD do documentário "A PONTE" 2006 / Instituto Ruhka /
Sindicato Paralelo / Direção: Roberto T. Oliveira e João Wainer /
Fotografia: João Wainer / Produtores Associados: Roberto T. Oliveira e
Marcelo Loureiro / Trilha Sonora: Zé Gonzales e Daniel Ganjaman /
Direção de Arte: Paulo Franco / Edição: André Dias e Alex Kundera /
Produção: Claudio Gabriel e Julio Sena / Fotografia adicional: Lula
Maluf, Arci Reis, Roberto T. Oliveira e Claudio Gabriel / Finalização:
Alex Kundera / Mixagem: Daniel Ganjaman (Estudios YB) / Participações:
Mano Brown, Ferrez, Floriano Pesaro, Paulo Lima, Padre Jaime, Fabio
Gurgel, Saulo Garroux, João Batista Cardoso /
Modernidade Líquida, Pós-Modernidade ou Modernidade Tardia, essas são algumas das designações dadas à época em que vivemos. Aqui postaremos alguns links de livros, vídeos e textos importantes para o debate e para a reflexão contemporânea.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
MAFALDA (Filme Completo - legendado)
Para quem gosta da visão crítica da personagem criada pelo argentino Quino, o filme é um prato cheio.
Assista ao filme em: http://www.youtube.com/watch?v=dcB9HbSMeYM&feature=related
quinta-feira, 31 de maio de 2012
O GÊNERO TEXTUAL ARTIGO CIENTÍFICO
O gênero textual artigo científico
Ms. Magna Campos
Resumo: Este trabalho apresenta as normas e
os elementos básicos comuns ao gênero textual artigo científico e visa
servir de orientação para a escrita de artigos, especialmente por
estudantes do curso de Direito, de acordo com os padrões da ABNT-NBR
6022/2003 e com os pressupostos teóricos da produção do gênero textual
acadêmico científico. São abordadas as questões fundamentais envolvidas
no planejamento de um artigo, as características, a estrutura e o
detalhamento dessa estrutura. Desta forma, obtém-se uma maior preparação
do iniciante para a escrita do texto no âmbito deste gênero científico.
Palavras-chave: artigo científico; especificidades; gênero textual.
Sumário: Introdução. 2 O artigo científico: especificidades.
2.1 Questões fundamentais. 2.2 Características. 2.3 A Estrutura. 2.4
Detalhamento da estrutura. 3 Considerações Finais 4. Referências.
Acesse aqui: http://pt.scribd.com/doc/95150157/O-genero-textual-artigo-cientifico.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Argumentação: a eficácia das palavras
A escrita como uma habilidade advinda do trabalho constante: o caso do texto argumentativo
Ms. Magna Campos
A construção de um texto ou de um discurso argumentativo se dá pelo trabalho, e não por inspiração de entidades mágicas, por dom. Trata-se de uma habilidade desenvolvida pelo trabalho constante e bem realizado, tanto de escrever quanto de reescrever. A importância de destituir a escrita da acepção de dom é vital, pois só
assim podemos torná-la possível de ser trabalhada e melhorada
constantemente.
Nesta mesma perspectiva, argumenta Citelli, em seu livro "O texto Argumentativo". Leia-se abaixo:
A nossa perspectiva foi a de conceber a linguagem como trabalho, daí a constância de termos como pesquisa, estudo, plano, escrita, reescrita. Feliz ou infelizmente, produzir textos exige tanto algum domínio do sistema expressivo como o envolvimento com as coisas do mundo. Por isso não se trata de algo fácil ou difícil, mas de um desafio que pode e deve ser vencido. (CITELLI,1994,p.78)
Todavia, para escrever é preciso conhecer como dizer e também o que dizer. E para se ter as "ideias", ter o que se dizer, é preciso ler com perspicácia o mundo que nos circula e, igualmente,ler a nós mesmos.
A argumentação, por sua face dupla - o convencimento e a persuasão -, faz parte do cotidiano, presentes na publicidade, nos editoriais, nos artigos de opinião, nos discursos políticos e jurídicos e em nossa fala corriqueira, pois como afirma Koch (2002, p.19):
"Como ser dotado de razão e vontade, o homem,constantemente, avalia, julga, critica, isto é, forma juízos e valor. Por outro lado, por meio do discurso – ação verbal dotada de intencionalidade – tenta fluir sobre o comportamento do outro ou fazer com que compartilhe determinadas de suas opiniões. É por esta razão que se pode afirmar que o ATO DE ARGUMENTAR constitui o ato lingüístico fundamental, pois A TODO E QUALQUER MOMENTO SUBJAZ UMA IDEOLOGIA, na acepção mais ampla do termo. A neutralidade é apenas um mito: o discurso que se pretende “neutro”, ingênuo, contém também uma ideologia – a da sua própria objetividade". (grifos da autora)
Por isso, deixo aqui alguns exemplos interessantes de argumentação em textos verbais e não verbais:
![]() |
| Fonte: http://sociedade-e-persuasao.blogspot.com.br/ |
O cego e o publicitário
Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira. No boné, estava escrito com giz branco: "Por favor, ajude-me, sou cego". Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é primavera em Paris, e eu não posso vê-la!"
O caso da melancia
Justiça: Penal
Direito discutido: furto
N. processo: autos nº 124/03
Localidade: Palmas/TO
Nome do juiz: Rafael Gonçalves de Paula
Instância: primeira- 3ª Vara Criminal da Comarca
Ponto relevante da decisão: decisão contra a lei, o juiz não aponta fundamentação legal
DECISÃO
Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.
Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional).
Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.
Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário.
Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia.
Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?
Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.
Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.
Simplesmente mandarei soltar os indiciados.
Quem quiser que escolha o motivo.
Expeçam-se os alvarás.
Palmas - TO, 05 de setembro de 2003. Rafael Gonçalves de Paula Juiz de Direito
Palmas - TO, 05 de setembro de 2003. Rafael Gonçalves de Paula Juiz de Direito
Sim ao livro, não à catraca
É
muito interessante a iniciativa de se criar um monumento para a
“descatracalização” da vida. A catraca é metáfora para toda forma de controle
social que enfrentamos cotidianamente, e representa não só o controle material
– câmeras filmadoras, pontos de entrada e saída no trabalho, notas escolares,
números de identificação nas instâncias burocráticas estatais –, mas também o
invisível, como o exercido pelos preceitos morais e religiosos e pelas normas
vindas do desenvolvimento da ciência moderna, de longe, as formas de controle
mais eficazes e prejudiciais – que “enquadram” sem que percebamos. Que
aprisionam. Que emburrecem.
Já disse o filósofo francês Michael
Foucault que muito mais eficiente que o controle é a autodisciplina. As
religiões, por exemplo, instituíram valores morais que determinam como devemos
viver. Como somos educados desde a infância dessa forma, esses valores são tão
fortes que acabam sendo fiscalizados por nossa própria culpa, um elemento
disciplinador interno que nos impede de ir contra a corrente. Os valores da
moral judaico-cristã, por exemplo, nos dizem que devemos ser heterossexuais,
nos casar, ter filhos, trabalhar muito, controlar nossos impulsos sexuais e
agressivos. Apesar de muitas dessas regras facilitarem a vida coletiva, elas
contrariam impulsos naturais importantes a alguns ou todos de nós, e nos
condenam a repressões internas que causam sofrimento. Sigmund Freud defende
essa idéia no livro O mal-estar na
civilização. Um único preceito moral, como “não fazer mal aos outros”,
talvez pudesse regular a vida social sem oprimir tanto os cidadãos.
Outra forma de controle ainda disfarçada que
ganha cada vez mais força é aquela que se mascara em saber científico. Vivemos
sob a ditadura das recomendações para se atingir saúde, vida longa, felicidade,
fortuna, sucesso. A ciência exata e humana do século 20 nos manda fazer
exercícios, não beber em excesso, ter orgasmos sempre, viver cada minuto como
se fosse o último e definir metas profissionais. Essas instruções, algumas
meramente cosméticas, vazias, têm cada vez mais penetração social, vide a
freqüência com que aparecem na mídia ou o sucesso de venda dos livros de
auto-ajuda e gestão empresarial. São fórmulas que parecem nos dizer: “sejam
disciplinados, não é preciso ter arrebatamentos de alegria e liberdade, apenas
sejam medianamente e controladamente saudáveis e produtivos”. Típica estratégia
capitalista para manter as pessoas trabalhando muito, em acordo com a ideologia
política vigente, mas satisfeitas por estarem praticando hábitos saudáveis,
serenos.
Há
quem diga que tantas regras religiosas e de auto-ajuda aquietam as pessoas e
promovem o bem-estar social. São os covardes, os tiranos. Aqueles que ignoram
os efeitos da educação e da cultura como civilizadoras, mas com a vantagem de
estimularem o bom senso e a autonomia.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
The Fantastic Flying Book of Mr. Morris Lessmore
O curta animação The Fantastic Flying Book of Mr. Morris Lessmore, dirigido por William Joyce e Oldenburg Brandon, recebeu o Oscar de 2011.
A história do Sr. Lessmore é simples. Morris está calmamente
escrevendo seu livro, quando uma tempestade leva ele, seu livro, sua
casa, sua cidade até as palavras… Enquanto tenta recolher os pedaços de
seu livro, ele encontra um livro simpático que leva a um novo lar e da
vida. É uma história sem palavras sobre palavras e histórias
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Geração Baby Boomer, geração x, geração y
Uma pequena série de reportagens a respeito das gerações:
Baby Boomer: é uma definição genérica para crianças
nascidas durante uma explosão populacional – Baby Boom em inglês, ou, em uma
tradução livre, Explosão de Bebês. Dessa forma, quando definimos uma geração
como Baby Boomer é necessário definir a qual Baby Boom, ou explosão
populacional estamos nos referindo.
Em
geral, a atual definição de Baby Boomers, se refere aos filhos da Segunda
Guerra Mundial, já que durante a guerra houve uma explosão populacional.
Normalmente
são as pessoas nascidas no final da década de 1940. Acadêmicos justificam o
fato, explicando que o ser humano tem uma característica de aumentar a
reprodução quando se sente ameaçado ou em perigo por determinados períodos, que
foi o caso da Segunda Grande Guerra. Na prática, no entanto, se consideram como
Baby Boomers os nascidos entre 1946 e 1964, separados em duas gerações:
a.
Primeiros
Boomers (1946 a 1954)
b.
Boomers
posteriores (1955 a 1964)
São
os considerados pais da Geração X e avós da Geração Y e parte da Geração Z.
Podemos determinar as seguintes características para a
Geração de Baby Boomers:
- Possui
renda mais consolidada.
- Tem um padrão de vida mais estável.
- Sofre pouca influência da marca no momento da compra.
- Apresenta maior preferência por produtos de alta qualidade.
- Prefere qualidade a quantidade.
- Experiências passadas servem de exemplo para consumo futuro.
- Não se influencia facilmente por outras pessoas.
- Não vê o preço como obstáculo para perseguir um desejo.
- É firme e maduro nas decisões.
- Tem um padrão de vida mais estável.
- Sofre pouca influência da marca no momento da compra.
- Apresenta maior preferência por produtos de alta qualidade.
- Prefere qualidade a quantidade.
- Experiências passadas servem de exemplo para consumo futuro.
- Não se influencia facilmente por outras pessoas.
- Não vê o preço como obstáculo para perseguir um desejo.
- É firme e maduro nas decisões.
Geração X
Os
integrantes da Geração X têm sua data de nascimento localizada,
aproximadamente, entre os anos 1960 e 1985. A Geração X é formada pelos filhos
da Geração Baby Boomers, formada logo após a Segunda Guerra Mundial e pelos
pais da Geração Y.
Apesar
de haver tentativas anteriores de se utilizar o termo Geração X, a definição
que se refere à Geração que teve início na década de 60 se deve a um estudo
realizado por Jane Deverson. A idéia era classificar a geração de adolescentes
da época, que eram considerados muito rebeldes para os padrões de então. A
literatura cita comportamentos não usuais para a época, como “não acreditar
tanto em Deus”, ou fazer sexo antes do casamento. Por serem filhos de uma
geração mais comportada, o estudo gerou recusa de uma Revista Britânica que o
havia encomendado. A editora achou os resultados fortes demais.
O
Relatório foi então publicado por Deverson junto a um correspondente americano,
Charles Hamblett, que lendo os resultados resolveu chamar a geração de “X”.
Hoje
não se sabe ao certo se o “X” se refere à expressão em inglês “X rated”, que
significa ações ou produtos pornográficos, ou se a referência é ao “X”
utilizado em matemática, como uma incógnita a ser descoberta.
Entre as
principais características dos indivíduos da geração X, encontramos:
- Busca da Individualidade sem a perda da
convivência em
grupo.
- Maturidade e escolha de produtos de qualidade.
- Maturidade e escolha de produtos de qualidade.
- Procura estabilidade no emprego
- Ruptura com as gerações anteriores.
- Maior valor a indivíduos do sexo oposto.
- Busca por seus direitos.
- Respeito à família menor que o de outras gerações.
- Procura de liberdade.
- Ruptura com as gerações anteriores.
- Maior valor a indivíduos do sexo oposto.
- Busca por seus direitos.
- Respeito à família menor que o de outras gerações.
- Procura de liberdade.
Geração Y
A
Geração Y, ao contrário do que muitos pensam, não se refere exatamente a uma
legião de adolescentes, mas sim a uma “determinada” geração, nascida entre os
anos 1986 e 2005. São os filhos da Geração X e netos dos Baby Boomers.
Como
é uma geração relativamente nova, ainda não há uma conceituação clara das
características desta geração, a não ser pelo fato que nasceram em um mundo que
estava se transformando em uma grande rede global. A Internet, emails, redes de
relacionamento, recursos digitais, fizeram com que a geração Y fizesse milhares
de amigos ao redor do mundo, sem ao menos terem saído da frente de seus
computadores. A mobilidade nas comunicações é outra característica associada ao
consumo da Geração Y.
Assim,
se as gerações anteriores se conectavam com o seu mundo através de um
computador de mesa, a nova geração passou a ficar constantemente disponível e
conectada através de dispositivos móveis. A noção de grupo passa a ser virtual.
Cada pessoa passa a ter o seu vídeo game, a sua TV, o seu celular e o seu
equipamento de som. Isto muda a forma de comportamento e relacionamento social
sobremaneira, já que até então, essas formas de diversão, entretenimento ou
comunicação eram coletivas. Ao final do Século XX, a televisão ocupava um lugar
central na sala, reunindo a família no que se chamava “horário nobre”. Da mesma
forma no início do Século passado, o Rádio e equipamentos de som ocupavam esse
lugar. Essa geração dispõe de todos esses dispositivos em equipamentos
portáteis que não os prendem mais a lugar nenhum. A sala da família unida em
torno da televisão como ironizado na abertura da série “Os Simpsons”, deixa de
existir.
Não
há acordo entre os estudiosos a respeito da data exata de início e fim desta
geração. Alguns voltam alguns anos e ultrapassam os anos 70. Outros dizem que a
geração Y se mantém até 2010. O que há em comum, no entanto são os novos
hábitos voltados à comunicação e obtenção da informação instantânea.
Também
são chamados de Millennials por serem a geração da mudança do milênio.
A
definição foi criada pelo Advertising Age.
Uma revista de publicidade e propaganda Norte Americana, que definiu, em 1993,
os hábitos de consumo dos adolescentes da época. Como eram filhos dos
integrantes da Geração X, se achou óbvio, que esta nova geração fosse chamada
pela próxima letra do Alfabeto.
Entre as
principais características dos indivíduos da Geração Y, encontramos:
- Estão sempre
conectados.
- Procuram informação fácil e imediata.
- Preferem computadores a livros.
- Preferem e-mails a cartas.
- Digitam ao invés de escrever.
- Vivem em redes de relacionamento.
- Procuram informação fácil e imediata.
- Preferem computadores a livros.
- Preferem e-mails a cartas.
- Digitam ao invés de escrever.
- Vivem em redes de relacionamento.
- Querem
trabalhos que lhe dêem prazer e desafios e não se importam com a estabilidade.
- Compartilham tudo o que é seu: dados, fotos, hábitos.
- Estão sempre em busca de novas tecnologias.
- Compartilham tudo o que é seu: dados, fotos, hábitos.
- Estão sempre em busca de novas tecnologias.
Apesar
de já haver uma definição para a próxima letra (Geração Z) esta geração não
está definida, exatamente numa época, mas em um hábito de comportamento: uma
geração eternamente conectada e preocupada com a ecologia e o respeito ao meio
ambiente. Também está a caminho, a Geração Alfa, formada por pessoas nascidas a
partir de 2010.
Disponível em: http://www.ifd.com.br/blog/marketing/geracao-x-geracao-y-geracao-z-%E2%80%A6/.
Acesso em: 02 maio 2012.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Mia Couto: Murar o Medo
Conferência em Estoril /2011
Bom,
Nada mais inseguro do que um escritor
numa conferência sobre segurança, um escritor que se sente um pouco
solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição…
preciso de um abrigo, preciso de um refúgio… é um texto que vou ler… o
presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente… Não sou capaz
em sete minutos. Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Murar o
Medo.
Murar o Medo
O medo foi um dos meus primeiros mestres.
Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi a temer
monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para
me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança
privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença
entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me
ensinaram a recear os desconhecidos. Na realidade a maior parte da
violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos,
mas por parentes e conhecidos.Os fantasmas que serviam na minha infância
reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente
que reconhecemos.
Os meus anjos da guarda tinham a
ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me
aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do
meu território. O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender.
Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem
de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais
muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há
neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más, propriamente
ditas.
No Moçambique colonial em que nasci e
cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os
chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela
independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas
tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os
chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são
hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um
simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa construção de
terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da
luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.
Em nome da segurança mundial foram
colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários
de toda a história e, a mais grave dessa longa herança de intervenção
externa, é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar
os outros pelos seus próprios fracassos. A guerra fria esfriou, mas o
maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras
geografias do medo a oriente e a ocidente e, por que se trata de
entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação,
precisamos de intervenção com legitimidade divina. O que era ideologia
passou a ser crença. O que era política tornou-se religião. O que era
religião passou a ser estratégia de poder.
Para fabricar armas é preciso fabricar
inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A
manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de
especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que
nos dizem: Para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais
polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para
enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais
serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos
sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que
esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de
conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar
de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o
clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o
seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a
humanidade, imprevisível.
Vivemos como cidadãos e como espécie em
permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de
sítio as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode
ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições
servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas:
Por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento?
Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de
dólares em armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger
os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do
coronel Kadafi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre
segurança do que sobre justiça? Se quisermos resolver e não apenas
discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e
urgentes.
Há uma arma de destruição maciça que está
sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o
pretexto da guerra, essa arma chama-se fome! Em pleno século XXI, um em
cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial
seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome
será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.
Mencionarei ainda uma outra silenciada violência. Em todo o mundo uma em
cada três mulheres, foi ou será, vítima de violência física ou sexual
durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte do
nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem
mulheres.
A nossa indignação, porém é bem menor que
o medo! Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército
sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos
de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são
esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque
estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética
nem de legalidade. É sintomático que a única construção humana que pode
ser vista do espaço seja uma muralha, a Grande Muralha, que foi erguida
para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou
conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses
construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente
aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram
emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e
pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar. Há muros
que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje
no mundo um muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob
as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do
ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galiano acerca disto, que é o
medo global, e dizer: Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os
que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm
medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os
militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de
guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo
acabe. Muito obrigado!
Fonte: http://airtonbc.wordpress.com/2011/11/10/mia-couto-conferencia-do-estoril2011/
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Diálogos com Zygmunt Bauman
Entrevista exclusiva: Zygmunt Bauman from cpfl cultura on Vimeo.
No último dia 23 de julho, sábado, uma equipe conjunta da CPFL Cultura e do Seminário Fronteiras do Pensamento foi recebida pelo professor Zygmunt Bauman, em sua casa, na cidade de Leeds, Inglaterra. O objetivo era gravar um depoimento para nosso site e para os assinantes do Fronteiras do Pensamento, edição 2011, que conta com parceria da CPFL Energia e de seu programa cultural, a CPFL Cultura. O vídeo de cerca de trinta minutos, que agora está disponível no site, é o primeiro resultado deste encontro e apresenta alguns dos momentos da entrevista concedida por Bauman com exclusividade para o público brasileiro. Outros produtos estão sendo preparados a partir do material coletado e estarão disponíveis ainda neste ano. Acompanhe aqui em nosso site as informações.
Fonte: http://www.cpflcultura.com.br/site/2011/08/16/dialogos-com-zygmunt-bauman/
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Brasil precisa de mais engenheiros (IPEA)
Brasil precisa de mais engenheiros
26/03/2010
Meta demanda que o País dobre o número de formados
na área
Para 2014, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior) definiu como meta formar 100 mil engenheiros, o
que significa mais do que dobrar o número de formandos de 2008. Afinal,
técnicos ou tecnólogos não entram nessa conta e o Censo da Educação Superior do
Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)
indica que, no ano de referência, formaram-se nas diversas especialidades da
engenharia 47.098 profissionais.
Parte da responsabilidade pela meta está nas mãos
da comissão formada pela Capes com o objetivo de propor ações indutoras e
estimular o desenvolvimento da pesquisa, da pós-graduação, da produção
científica e da inovação tecnológica nesta área do conhecimento. Para Sandoval
Carneiro Júnior, presidente da comissão e diretor de relações internacionais da
Capes, a taxa de formação de engenheiros no Brasil é inferior à de outras
nações. "Dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o
que menos forma engenheiros. A Rússia forma 190 mil por ano, a Índia 220 mil e
a China 650 mil", diz ele com base em dados de documento elaborado pela
comissão e entregue ao ministro da Educação, Fernando Haddad.
Para a indústria, a escassez de engenheiros é um
fato preocupante desde 2008. "Mesmo com a recessão em 2009, setores como a
construção tiveram demanda além do esperado. Não só não houve desemprego de
engenheiros como os salários, em média, aumentaram 20%", afirma Marcos
Maciel Formiga, representante da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e
membro da comissão da Capes. Para ele, se a taxa de crescimento econômico
continuar acima de 5%, haverá necessidade de duplicar o número de engenheiros
formados anualmente.
Segundo Carneiro Júnior, um dos riscos imediatos da
falta de mão de obra qualificada é o de encarecimento do setor produtivo. Ele
acredita que as empresas passarão a buscar profissionais estrangeiros, a custos
elevados e com a exigência de adaptação do conhecimento técnico à realidade
local. Além disso, intensifica-se a dependência brasileira de inovação
tecnológica. "O Brasil entra numa fase de crescimento e precisamos sair do
modelo econômico baseado na exportação de materiais primários e commodities,
cujo valor agregado é pequeno", alerta Carneiro Júnior. De acordo com ele,
para mudar esse quadro, é necessário contar com profissionais capazes de
desenvolver inovação tecnológica.
Combate à evasão
Carneiro Júnior é contundente ao afirmar que o
principal desvio é a evasão universitária, tendo sido o que motivou a Capes a
criar a comissão. Segundo dados por ele apresentados, a evasão, mesmo em IES
(instituições de Ensino Superior) públicas chega a 60% e atinge 75% em
entidades particulares. "Vagas temos de sobra. Em 2007, 450 mil alunos se
inscreveram para 198 mil vagas de engenharia, mas dessas, apenas 115 mil foram
preenchidas. Sobraram 80 mil ociosas", diz.
A mesma opinião tem o professor Alexandre Pacheco,
coordenador da comissão de graduação da escola de engenharia da UFRGS
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul) onde, afirma, apenas no curso de
Engenharia Civil, todos os anos são oferecidas 175 vagas, com ingresso de cerca
de 150 alunos. Segundo ele, apenas em torno de 80 chegam a se formar. "O
pessoal tem muita dificuldade nos primeiros dois anos, quando a evasão é
pronunciada", declara Pacheco. Um dos motivos para a evasão seria o perfil
estritamente acadêmico do ciclo básico a maior responsabilidade. "Depois
que entra na parte profissionalizante, o pessoal costuma engrenar, faz estágios
e iniciação científica", acrescenta ele.
Vestibular
|
|||
Vagas Oferecidas
|
Ingressos
|
Concluintes
|
|
2005
|
148.080
|
89.030
|
36.918
|
2008
|
239.134
|
140.878
|
47.098
|
Fonte: Censo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira)
A suposta responsabilidade pelas falhas que levam à
evasão divide-se entre o Ensino Médio e as faculdades. O primeiro respondia
pelas deficiências na área de exatas. Tanto que na UFRGS foi criado um programa
para detectar alunos com dificuldades nas áreas de física e matemática. Eles
são encaminhados para curso preparatório de recuperação. "Modificamos os
critérios de recusa de matrícula devido à má performance, o que culminava com a
saída do aluno do curso", revela o coordenador.
A própria CNI, por meio do programa Inova
Engenharia, atua no Ensino Médio para estimular estudantes a optarem pela
engenharia. "Apenas um aluno dentre 700 optará pela engenharia. Não temos
como conviver com essa realidade. Então essa mobilização vai tentar
sensibilizar a sociedade para a importância desse profissional", conta
Formiga, superintendente da CNI.
Já às universidades caberia a responsabilidade por
modernizar currículos e torná-los mais atraentes aos alunos a partir do
estímulo à aplicação prática dos conceitos nos primeiros anos sem comprometer a
base científica. Essa é a opinião de Carneiro Júnior, para quem a questão é
amenizar a aridez da teoria por meio da iniciação cientifica, com engajamento
em projetos práticos de laboratório.
A fim de complementar a estratégia de atração e
retenção de alunos nos cursos de engenharia, Formiga acredita ser necessário
pensar na questão financeira, tanto com relação às mensalidades quanto sob o
aspecto dos salários. "Os cursos são difíceis e as faculdades particulares
caras. Os alunos vão para as áreas de humanas e sociais, que também abrem
chance de prestar concurso", analisa ele. Um dos caminhos sugeridos por
Carneiro Júnior para atenuar o problema seria desenvolver um programa de ajuda
de custo, não reembolsável, para IES comunitárias com bom desempenho no Enade
(Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). "Durante muito tempo, os
salários da engenharia foram baixos o que, aliado à necessidade de investir
durante cinco anos em muito estudo, afastou os alunos", argumenta o
coordenador.
Omissão tecnológica
O viés cientificista da educação no Brasil é
apontado por Formiga como um dos fatores responsáveis pelo achatamento dos
salários de engenheiros. Isso porque os investimentos por parte da indústria em
tecnologia seriam escassos. "Estamos mais preocupados com ciência do que
com tecnologia. E engenheiros são mais tecnologistas. No, o registro de
patentes chega a 400 ou 500 por ano. No mesmo período de análise, a Coréia
registrou dez vezes mais patentes do que nós", compara ele.
Dados da pesquisa Inova Engenharia
2008
Propostas para a modernização da educação em engenharia no Brasil |
||||||
Engenheiros contratados por porte (número de
funcionários)
|
||||||
Descrição
|
Até 49
|
50-249
|
250-499
|
500 ou mais
|
Total
|
%
|
Ramos que empregam os primeiros 49,2% do total de
engenheiros
|
21.930
|
30.267
|
16.542
|
60.086
|
128.825
|
49,2%
|
Construção
|
7.655
|
6.468
|
2.291
|
2.679
|
19.093
|
14,8%
|
Serviços
prestados principalmente às empresas
|
3.909
|
5.018
|
2.732
|
4.929
|
16.588
|
12,9%
|
Administração
pública, defesa e seguridade social
|
176
|
1.652
|
1.414
|
10.365
|
13.607
|
10,6%
|
Eletricidade,
gás e água quente
|
450
|
1.421
|
598
|
5.218
|
7.687
|
6,0%
|
Fabricação
e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias
|
104
|
685
|
740
|
4.880
|
6.409
|
5,0%
|
Total de Engenheiros
|
34.224
|
45.511
|
24.317
|
88.157
|
192.209
|
49,2%
|
Ramos que empregam os próximos 26,5% do total de
engenheiros
|
Até 49
|
50-249
|
250-499
|
500 ou mais
|
Total
|
%
|
Correio
e telecomunicações
|
470
|
1.267
|
734
|
3.412
|
5.883
|
4,6%
|
Fabricação
de máquinas e equipamentos
|
945
|
1.596
|
622
|
1.810
|
4.973
|
3,9%
|
Captação,
tratamento e distribuição de água
|
211
|
790
|
555
|
2.285
|
3.841
|
3,0%
|
Fabricação
de outros equipamentos de transporte
|
44
|
140
|
27
|
3.394
|
3.605
|
2,8%
|
Fabricação
de produtos químicos
|
360
|
1.327
|
953
|
927
|
3.567
|
2,8%
|
Fabricação
de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares
|
22
|
170
|
247
|
2.840
|
3.279
|
2,5%
|
Comércio
por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio
|
1.374
|
1.031
|
370
|
451
|
3.226
|
2,5%
|
Metalurgia
básica
|
100
|
291
|
301
|
2.290
|
2.982
|
2,3%
|
Fabricação
de máquinas, aparelhos e materiais
|
321
|
591
|
791
|
1.122
|
2.825
|
2,2%
|
Total de Engenheiros
|
3.847
|
7.203
|
4.600
|
1.122
|
34.181
|
26,5%
|
Fonte:
Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) / IEL (Instituto Euvaldo
Lodi)
Para essas afirmações, Formiga tomou como base o
documento desenvolvido pelo programa Inova Engenharia, que aponta que apenas um
terço dos engenheiros permanece no trabalho em sua área de formação. De acordo
com o Sumário analítico Mercado de Trabalho para o Engenheiro e Tecnólogo no
Brasil, desenvolvido pela CNI, "do total de engenheiros empregados (...)
quase metade está concentrada em cinco ramos de atividade, sendo que dois deles
estão em áreas não diretamente relacionadas à produção. Um é o ramo de serviços
prestados principalmente às empresas (...). O outro é a administração pública,
defesa e seguridade social, ou seja, órgãos do governo".
Dentre os fatores que fazem com que engenheiros
migrem para outros setores, Formiga aponta os melhores salários. "Nada melhor
que o setor financeiro para engenheiros, onde exercem suas capacidades e
recebem melhor", resume. Para ele, embora esse fenômeno mostre o aspecto
positivo referente à polivalência desses profissionais, também revela um
aspecto preocupante. "Queremos que o setor empregue mais engenheiros em
atividades de engenharia. Com competitividade acirrada, não se sobrevive sem
inovação e engenharia é fundamental", diz ele.
O aumento dos salários nas áreas diretamente
ligadas à engenharia voltaria a atrair profissionais já formados e alocados em
outras áreas e atenuariam o risco de escassez. A possibilidade é apontada no
artigo "Escassez de engenheiros: realmente um risco?". "Temos
750 mil engenheiros formados e usamos como engenheiros apenas 211 mil. Se
houver demanda efetiva, os salários sobem e o pessoal para de ir para o outro
lado", atesta Gusso.
Assim, a valorização do engenheiro na indústria
passa pela mudança de suas funções principais. Para Carneiro Júnior, muitos
profissionais utilizam apenas nível técnico de conhecimento, envolvidos com
adaptação de projetos às condições locais. "A indústria tem de participar
com recursos e definição de prioridades e aumentar a quantidade de estágios de
qualidade, que contribuam para a formação", afirma o diretor de relações
internacionais da Capes. Condição atestada também pelo Sumário analítico da
CNI, que indica que "quando se trata do elemento cada vez mais crítico da
inovação, os engenheiros são considerados adequados apenas na adaptação da inovação,
ficando um pouco abaixo no conhecimento e na implantação e significativamente
abaixo na geração de inovação".
As possibilidades da indústria para contribuir com
a formação profissional envolvem o aproveitamento da polivalência do
profissional de engenharia citada por Formiga, o que é explorado com a criação
de universidades corporativas. "O profissional bem formado é exigido e,
por meio da universidade corporativa, forma-se a especificidade. O
profissional, quando bem formado se adapta às novas situações", ressalta o
representante da CNI.
Fonte: http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2010/03/26/410164/rasil-precisa-mais-engenheiros.html.
Acesso em: 19 nov. 2011.
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