terça-feira, 14 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que é a ciência? II

Paul Davies
A ciência tem de envolver mais do que a mera catalogação de factos e do que a descoberta, através da tentativa e erro, de maneiras de proceder que funcionam. O que é crucial na verdadeira ciência é o facto de envolver a descoberta de princípios que subjazem e conectam os fenómenos naturais.
Apesar de concordar completamente que devemos respeitar a visão do mundo de povos indígenas não europeus, não penso que coisas como a astronomia maia, a acupunctura chinesa, etc., obedeçam à minha definição. O sistema ptolemaico de epiciclos alcançou uma precisão razoável ao descrever o movimento dos corpos celestes, mas não havia qualquer teoria propriamente dita subjacente ao sistema. A mecânica newtoniana, pelo contrário, não apenas descrevia os movimentos dos planetas de modo mais simples, conectava o movimento da Lua com a queda da maçã. Isto é verdadeira ciência, pois revela coisas que não podemos saber de nenhuma outra maneira.
Terá a astronomia maia ou a acupunctura chinesa alguma vez conduzido a uma previsão que não tenha falhado nem seja trivial e que tenha conduzido a novos conhecimentos sobre o mundo? Muitas pessoas tropeçaram no facto de que certas coisas funcionam, mas a verdadeira ciência consiste em saber por que razão as coisas funcionam. Tenho uma atitude de abertura em relação à acupunctura, mas se tal coisa funcionar, apostaria muito mais numa explicação baseada em impulsos nervosos do que em misteriosas correntes de energia cuja realidade física nunca foi demonstrada.
Por que razão nasceu a ciência na Europa? Na época de Galileu e Newton a China era muito mais avançada tecnologicamente. Contudo, a tecnologia chinesa (como a dos aborígenes australianos) foi alcançada por tentativa e erro, refinados ao longo de muitas gerações. O boomerang não foi inventado partindo da compreensão dos princípios da hidrodinâmica para depois conceber um instrumento. A bússola (descoberta pelos chineses) não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo. Estes princípios emergiram da (verdadeira, segundo a minha definição) cultura científica da Europa. Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais que só mais tarde foram compreendidas. Mas os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência — tais como as ondas de rádio, a energia nuclear, o computador, a engenharia genética — emergiram, todos eles, da aplicação de uma compreensão teórica profunda que já existia — muitas vezes há muito tempo — antes da tecnologia que se procurava.
As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência são complexas, mas têm certamente muito a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por intermédio do pensamento racional, e com as três religiões monoteístas — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — e a sua noção de uma ordem na natureza, ordem essa que era real, legiforme, criada e imposta por um Grande Arquitecto.
Apesar de a ciência ter começado na Europa, é universal e está agora à disposição de todas as culturas. Podemos continuar a dar valor aos sistemas de crenças das outras culturas, ao mesmo tempo que reconhecemos que o conhecimento científico é algo de especial que transcende a cultura. 

Tradução de Desidério Murcho

O que é a ciência?

John Sommerville
 
Caro Senhor

Tomo a liberdade de me dirigir a si rogando-lhe que seja o juiz numa disputa entre mim e uma pessoa minha conhecida que já não posso considerar um amigo. A questão em discussão é a seguinte: É a minha criação, a guardachuvalogia, uma ciência? Permita-me que explique a situação. De há dezoito anos para cá que, conjuntamente com alguns fieis discípulos, venho recolhendo informações relacionadas com um objecto até agora negligenciado pelos cientistas — o guarda-chuva. O resultado da minha investigação, até à presente data, encontra-se reunido em nove volumes que vos envio separadamente. Deixe-me, antecipando a sua leitura, descrever brevemente a natureza dos conteúdos aí apresentados e o método que empreguei na sua compilação. Comecei pelas ilhas. Passando de quarteirão em quarteirão, de casa em casa, de família em família, de indivíduo em indivíduo, descobri: 1) o número de guarda-chuvas existentes, 2) o seu tamanho, 3) o seu peso, 4) a sua cor. Tendo coberto uma ilha, passei às restantes. Depois de muitos anos, passei à cidade de Lisboa e, finalmente, completei toda a cidade. Estava então pronto a continuar o trabalho passando para o resto do país e, posteriormente, para o resto do mundo.
Foi neste ponto que me aproximei do meu amigo de outrora. Sou um homem modesto, mas senti que tinha o direito de ser reconhecido como o criador de uma nova ciência. Ele, por outro lado, afirmou que a guardachuvalogia não era de todo uma ciência. Primeiro, disse ele, é uma tolice estudar guarda-chuvas. Este argumento é mau, uma vez que a ciência se ocupa de todo e qualquer objecto, por muito humilde e abjecto que seja, até mesmo da «perna de trás de uma pulga». Sendo assim, por que não guarda-chuvas? Depois, ele afirmou que a guardachuvalogia não poderia ser reconhecida como uma ciência porque não trazia qualquer benefício ou utilidade para a sociedade. Mas não será a verdade a coisa mais preciosa na vida? E não estão os meus nove volumes repletos de verdades acerca do meu objecto de estudo? Cada palavra é verdadeira. Cada frase contém um facto firme e frio. Quando ele me perguntou qual era a finalidade da guardachuvalogia, senti-me orgulhoso em dizer «Procurar e descobrir a verdade é finalidade suficiente para mim». Sou um cientista puro; não tenho motivos ulteriores. Daqui se segue que a verdade seja suficiente para me sentir satisfeito. A seguir afirmou que as minhas verdades estavam datadas e que qualquer uma das minhas descobertas poderia deixar de ser verdadeira amanhã. Mas isto, disse eu, não é um argumento contra a guardachuvalogia, é sim um argumento para a manter actualizada, que é precisamente o que pretendo fazer. Façamos levantamentos mensais, semanais, ou mesmo diários, de modo a que o nosso conhecimento se mantenha actualizado. A sua objecção seguinte foi afirmar que a guardachuvalogia não continha hipóteses e que não tinha desenvolvido leis ou teorias. Isto é um grande erro. Utilizei inúmeras hipóteses no decurso das minhas investigações. Antes de entrar num novo quarteirão e numa nova secção da cidade coloquei hipóteses relacionadas com o número e com as características dos guarda-chuvas que aí seriam observados, hipóteses essas que foram, de acordo com o correcto procedimento científico, ou verificadas ou anuladas pelas minhas subsequentes observações. (De facto, é interessante notar que posso comprovar e documentar cada uma das minhas respostas a estas objecções com numerosas citações de trabalhos fundamentais, de revistas importantes, de discursos públicos feitos por cientistas eminentes, etc.) No que respeita a teorias e leis, o meu trabalho é abundante. Mencionarei, a título de exemplo, apenas algumas. Existe a Lei da Variação da Cor Relativa à Posse pelo Género. (Os guarda-chuvas que são posse das mulheres tendem a ter uma grande variedade de cores, ao passo que aqueles que são posse dos homens são quase sempre pretos.) Apresentei, para esta lei, uma exacta formulação estatística. (Veja-se vol. 6, apêndice 1, quadro 3, p. 582). Existem as Leis dos Possuidores Individuais de uma Pluralidade de Guarda-chuvas e as Leis da Pluralidade dos Possuidores de Guarda-chuvas Individuais, leis curiosamente inter-relacionadas. A inter-relação, na primeira lei, assume a forma de uma quase directa ratio com o rendimento anual, e a segunda, uma quase relação inversa com o rendimento anual. (Para uma formulação exacta das circunstâncias modificadoras veja-se vol. 8, p. 350). Há também a Lei da Tendência para Adquirir Guarda-chuvas em Tempo Chuvoso. Para esta lei forneci verificação experimental no capítulo 3 do volume 3. Realizei, igualmente, numerosas outras experiências relacionadas com a minha generalização.
Por conseguinte, creio que a minha criação é, em todos os aspectos, uma ciência genuína, e apelo para a vossa comprovação da minha opinião.

John Sommerville
Tradução e adaptação de Luís Filipe Bettencourt
Citado por David Boersema in "Mass Extinctions and the Teaching of Philosophy of Science" (Teaching Philosophy, vol. 19, n.º 3, September 1996, pp. 263-264).

domingo, 12 de setembro de 2010

OAB contra plágio no ensino


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Foto da matéria

Ricardo Bacelar, presidente da Comissão de Direitos Culturais da OAB-CE, é autor da proposta

DIVULGAÇÃO
23/4/2010
A Ordem vai sugerir que universidades utilizem programas para detectar fraudes em trabalhos acadêmicos

O plágio na elaboração de trabalhos acadêmicos está no centro de uma polêmica. A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) está preparando um dossiê que recomenda a utilização de tecnologia antiplágio em universidades públicas e privadas para apontar possíveis fraudes em relação à autoria de trabalhos de conclusão de disciplinas, artigos, monografias e dissertações.

O material vai incluir diversas informações acerca dos softwares já disponíveis no mercado e utilizados por várias universidades. Ele será encaminhado, nos próximos dias, ao Ministério da Educação, Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), secretários de Educação e Cultura do Estado e Conselho Federal da OAB, além das instituições de ensino superior do Ceará.

Conforme o presidente da Comissão de Direitos Culturais e diretor da OAB-CE, Ricardo Bacelar, além de cometer um crime contra as leis que regem a propriedade intelectual, quem se apropria da obra de terceiros sem autorização e sem a referência devida está produzindo danos irreparáveis à pesquisa e ao próprio aprendizado.

"Muitos alunos não sabem escrever, não sabem compor um texto que possua sentido, elaborar uma ideia original e, pior de tudo, não aprendem a pensar e a desenvolver o senso crítico", ressalta. "Ou seja, o plágio compromete as formações acadêmica e moral dos estudantes".

Bacelar afirma que a ideia da recomendação surgiu da necessidade de divulgar os softwares existentes e que já são utilizados com sucesso por diversas instituições no Brasil e no exterior. "Muitas vezes, o que falta é informação. Os recursos existem", diz ele.

Para o chefe da Divisão de Pós-Graduação Stricto Sensu, em exercício, da Universidade de Fortaleza (Unifor), Paulo Sávio Peixoto Maia, a cultura da cópia dos trabalhos acadêmicos se disseminou graças à massificação da informação, principalmente pela internet. "É ilícito, mas as pessoas ficam cada vez mais tentadas pela facilidade", acrescenta.

O professor admite que, em muitos casos, é difícil comprovar a fraude, mas alguns aspectos, como a mudança de estilo entre parágrafos, podem ser observados. Ele destaca, ainda, a importância da experiência dos professores, desde a elaboração dos trabalhos até sua defesa. "Qualquer ferramenta que venha para facilitar é bem-vinda, mas nada substitui o olhar atento dos profissionais".

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=772953


Assista ao vídeo da Mesa Redonda: Autoria e plágio na era digital:


E também este vídeo:

Plágio


A responsabilidade do professor também é ressaltada pela professora de Direito, Andrea Chiesa

 


Antonio*, professor de um curso superior em Campo Grande, pediu aos seus alunos uma resenha sobre um livro. Quando recebeu os textos, uma surpresa: vários textos iguais, com as mesmas palavras, na mesma seqüência e, apesar do nome no cabeçalho do trabalho, o mesmo autor, um colega de faculdade que havia publicado uma resenha sobre o livro na internet anos atrás.

Essa é só mais uma das histórias de plágio que acontecem em escolas, faculdades, cursos técnicos, entre outros locais de ensino, mas por que o popularmente conhecido “control c control v” está tão presente na educação brasileira?

Márcia Bertola, professora do curso de Pedagogia, acredita que falta incentivo à pesquisa. “É preciso apaixonar-se pela leitura, formar pesquisadores, o que temos são copistas e não é incentivada a pesquisa, é preciso ser um pouco cientista, estimular a ler e se interar sobre o que acontece no mundo”, afirma a professora.

A responsabilidade do professor também é ressaltada pela professora de Direito, Andrea Chiesa. “Às vezes, o que o professor pede é fora da realidade do sujeito ou pede coisas exageradas, o professor não pode ter preguiça, quanto mais maçante, menos plágio ele vai encontrar nos trabalhos, por exemplo, se você pergunta para o aluno o que é tal coisa, ele entra na internet e copia mesmo, mas se você pede a opinião dele ou exemplo dele sobre aquilo, é muito mais difícil encontrar plágio”, acredita a professora.

Mas quando é feito um texto e utiliza-se o textos de outros autores em forma de citação, não há problema. É o que acredita o professor Paulo Godofredo, do Curso de Gestão de Recursos Humanos: “O problema é que, ao invés de produzir, ele se apossa como se fosse dele, é uma apropriação ilegal. Tem que pesquisar, citar e dar o parecer dele, o que ele entendeu do texto”.

Punir e mudar

Para a pedagoga Daniela Gil, coordenadora pedagógica da FCG(Faculdade Campo Grande) e professora há 18 anos, o problema está enraizado no sistema educacional, que deixa de punir atitudes prejudiciais ao ensino. “É a lei de Gérson desde pequeno, querendo tirar vantagem em tudo desde cedo, há uma cultura educacional e familiar que incentiva isso, além de também faltar punição para o plágio. Em vez de punir, faz o ‘dessa vez passa’, e essa cultura não muda”, avalia a coordenadora.

Com mais de 20 anos ensinando, o professor Ricardo Leite atua no ensino superior e faz parte do grupo de trabalho da escola em tempo integral, que começa a funcionar este ano em Campo Grande, com a proposta de tornar o aluno um “autor”. Para ele é preciso mudar profundamente: “Sinto dessa forma, está em todos os níveis. Para mudar isso é preciso mudar o modelo educacional, que é baseado na memorização, é uma mudança de métodos, de cultura”.

Agarre-me se puder

Apesar de facilitar o plágio, a Internet não é vista só como vilã nessa história. Para os professores, o método é sempre o mesmo para identificação de cópia. “É só colocar algumas palavras-chave no Google que aparece de primeira”. Isso quando os alunos não esquecem alguma pista importante: “eu já peguei apresentação que os alunos copiaram integralmente e não tiraram nem o nome da empresa original”, conta o professor Godofredo.

O professor Ulisflávio Evangelista, de Rádio e TV, conta que consulta na internet os artigos feitos e há sempre um grande índice de plágio “chega a 90% em artigos, em monografia o número é menor”.

“O perigo maior reside nos trabalhos de monografia, isso sim é complicado, eu mesmo já reprovei três por conta de plágio, dois desconheciam o conceito de plágio e o terceiro foi mal intencionado mesmo”, conta o professor Jenner Ferreira, de Engenharia da Computação, que descobriu as cópias pesquisando no Google e “em uma delas o menino usou um capítulo inteiro de um livro e deu azar porque eu tinha recém comprado [o livro]”.

Super Nanny

Mas o que deve ser feito quando identificar um plágio? O professor Ricardo Leite recomenda: “tem que discutir com o aluno, explicar o problema ético, ele tem que entender os motivos, não só punir. Pode até levar o autor para conversar”.

Quando são pegos por plágio, os alunos costumam justificar da mesma forma. “Eles dizem que trabalham o dia todo e que não tiveram tempo para fazer. Mas quando eu peço um trabalho já aviso que não aceito cópia integral, para vários alunos eu devolvi e mandei fazer de novo, valendo menos”, diz o professor Paulo Godofredo.

Alguns ainda querem mérito pelo que fizeram. “Dizem que não tinha nada para consultar, que todo mundo faz e que falta tempo, é um problema crônico, eles acham que o professor tem que aceitar”, relata a professora Elaíne Brito Castro, de Fisioterapia.

Alunos strikes back

Do lado dos alunos, a falta de atenção dos professores pesa também na hora de dedicar mais ou menos tempo ao que é pesquisado e produzido. Roberto* conta que durante os anos que estudou Direito, em Campo Grande, ele e os colegas sabiam que alguns professores não corrigiam os trabalhos e por isso entregavam o que era pedido com algumas modificações.

“Em Direito há vários entendimentos sobre um tema e o professor pedia esses entendimentos, e a gente inventava autor e entendimento, eu era mais discreto, e citava nomes normais. Tinha colega que colocava coisas grotescas, como Ayrton Senna, Tim Maia, Edson Arantes do Nascimento e Maria das Graças Xuxa Meneghel. Nunca teve um professor que atentasse para isso. Sempre tivemos notas boas”, conta o ex-aluno.

Maria*, aluna de uma faculdade da Capital, não teve a mesma sorte que Roberto. Em sua monografia de conclusão de curso ela foi reprovada, os professores identificaram o plágio de uma outra monografia. "Eu estava grávida, sem tempo, sem cabeça para fazer a monografia, não queria deixar para depois do nascimento da minha filha, eu me arrependo, mas agora vou fazer tudo certinho", conta a acadêmica, que deve tentar novamente o diploma em 2009. 
Fonte: Campo Grande News

Houellebecq: o Ctrl+C/Ctrl+V como ‘método’

“Isso é parte do meu método”, disse o escritor francês Michel Houellebecq a uma rádio de Paris (trechos da entrevista são reproduzidos hoje pelo jornal inglês “The Independent”), em resposta à acusação de plágio que lhe foi feita semana passada pela revista eletrônica Slate.fr, que flagrou em seu recém-lançado romance La carte et le territoire longos trechos copiados da Wikipedia.
“Se esses caras pensam isso, não têm a menor ideia do que é literatura”, contra-atacou Houellebecq. “Essa abordagem, a da mistura de documentos reais com ficção, foi usada por muitos autores. Fui influenciado especialmente por Perec e Borges. Acredito que usar esse tipo de material contribua para a beleza dos meus livros.”
Para a promoção deles certamente contribui. Único nome da ficção francesa contemporânea a gozar de uma aura de estrela midiática, Houellebecq conseguiu mais uma vez provocar uma boa polêmica. A diferença é que agora, em vez das acusações de misogia ou islamofobia que pairavam sobre seus livros anteriores, surge a atualíssima questão dos limites entre o plágio e o sampling literário.
A jovem escritora alemã Helene Hegemann meteu-se em confusão parecida no início deste ano. Mas com Houellebecq, autor consagrado, o assunto ganha mais destaque e relevância. Como Hegemann, ele não deu crédito às fontes em que foi pós-modernamente buscar os retalhos da sua colcha. Isso não seria má-fé?
A discussão vai longe, mas os trechos quase idênticos descobertos pela Slate.fr ao confrontar o romance com verbetes da Wikipedia.fr são constrangedores. Está certo que, contextualizados numa obra de ficção, eles ganham outro sentido e não são mais que um grão de sal na ratatouille. Isso provavelmente torna exagerada a acusação de plágio, mas… e a de preguiça, não conta?

Por: Sérgio Rodrigues

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mordaças e palmadas - Lya Luft

Lya Luft

Aqui não vai crítica a pessoa alguma: vão dúvidas e preocupações - com povo e governo ou governos. Democracia e liberdade. Conceitos difíceis, confusos. esquecidos e negligenciados. Leio, escuto, percebo aqui e ali algum projeto de amordaçamento da imprensa, por exemplo.

Logo que se manifesta, surgem protestos, e as garras se escondem de novo na manga. Mas a ideia volta mais adiante. e isso se repete. Vamos controlar mais, via estado. os meios de comunicação: jornais, televisões, revistas, rádios. Isso de veicular qualquer coisa. ou ter liberdade demais. não convém. O país ainda está imaturo. o povo, desinformado, vamos controlar isso.

Sim. o povo anda mal informado. O número de analfabetos é assustador, e mais uma vez, cansativamente quem sabe. repito: alfabetizado não é quem assina o nome, mas quem assina o nome em um documento que leu e compreendeu. Sua porcentagem neste país é um desastre. Investir em educação, maciçamente. em vez de pensar em amordaçar os meios de comunicação, poderia ser uma ideia magnífica.

Escolas boas, professores estimulados, acesso fácil a todos, bons curriculos, merenda farta, dia inteiro para os mais desvalidos. Ensino médio de boa qualidade, acessível a todos, mesma coisa quando a professores. Universidade ótima, e escolas técnicas superiores abundantes, acabar com o preconceito de qie temos de ser bacharéis.

Esse seria o verdadeiro gesto de liberdade democrática para o país e o povo, jamais controlar a manifestação livre de ideias, desejos, esperanças, necessidades e protestos. Nem querer nivelar por baixo nem limitar, como pensar em reduzir ou até proibir séries americanas nas TVs brasileiras: queremos o atraso, ser Cuba ou Venezuela. ou nos integrar ao mundo mais adiantado, incentivar a boa produção de programas de TV e de filmes brasileiros, em vez de cercear?

Outro tema, agora atualíssimo, é a interferência em assuntos tão pessoais quanto a educação dos filhos. A mim o tema "palmada" parece um pouco ridículo, num momento de eleições iminentes. quando precisamos estar sérios, lúcidos. focados no assunto "quem vai nos governar nos próximos quatro anos. como, com que ideias e meios". Crianças e jovens, filhos em geral, já são protegidos por leis suficientes. Se elas não forem respeitadas, e sua quebra não for punida. não vai adiantar nada inventar novidades. Vamos aplicar e vigiar o que já existe. E não acho que o "projeto palmada" funcione sem grande confusão. Primeiro problema, o do controle: quem vai denunciar pai ou mãe que derem palmada (e não pode nem aquela branda, carinhosa chamada de atenção por cima da gorda fralda): o vizinho intrometido, a vizinha invejosa, a babá em aviso prévio, a comadre neurótica, a sogra chata. O ex-cônjuge vingativo? Eu gostaria de saber, só para começar, quem vai lidar com a avalanche de denúncias loucas. injustas e irreais que vão atravancar delegacias, postos de polícia e semelhantes.

Violência as vezes se justifica, sim. como para controlar violência. segurar alucinados, prender bandidos, dominar violentos assassinos. Mas nem mesmo violência verbal deveria reinar nas famílias: um insulto pode doer bem mais do que um tapa. brigas entre os pais fazem mais mal do que uma palmadinha, acreditem. Então, o conceito de que violência em casa é negativa e tem de ser punida já existe. Basta aplicar as regras e leis. Mas a tal lei da palmada, me perdoem: parece-me irreal, inexequível, geradora de muita confusão e de indevidas intromissões no lugar que deveria ser o mais nosso. o mais pessoal. nosso refúgio. nosso reino, nosso santo dos santos: a casa, a família. o lar.

Mas como as coisas entre nós. e neste vasto mundo. andam mais para confusão e doideira do que para lucidez e serenidade. como estamos mais violentos, policialescos. alucinados, assustados e assustadores do que firmes, elegantes, sábios, pacíficos e ordenados, tudo pode ser esperado. tudo é possível, e vamos nos habituando a viver na estranheza, na esquisitice. protegendo-nos como podemos de atos, fatos e ideias bizarros.

Fonte: Artigo publicado na revista VEJA em 2/8/2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Como as redes sociais podem mudar a história

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Curta - A história das coisas

Este vídeo mostra os problemas sociais e ambientais criados como consequência do nosso hábito consumista, apresenta os problemas deste sistema e mostra como podemos revertê-lo, porque não foi sempre assim.

Dublagem: Nina Garcia



Ilha das Flores - Um dos Clássicos Curta Experimental - Jorge Furtado

Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.


Capitalismo E Moderna Teoria Social - Anthony Giddens

Link: http://www.mediafire.com/?qcxt1tigi4hhkj2

Os sete saberes necessários à educação do futuro - Edgar Morin

Link: http://www.4shared.com/document/tKNRzt5W/MORIN_Edgar_Os_sete_saberes_ne.html